Blog Unicamp Ano 50



Tadeu Jorge defende prioridade à educação infantil, em Limeira

31/08/2016 - atualizado em 01/09/2016
Tadeu Jorge dá exemplo da Coreia em educação. Foto: Antoninho Perri

“Temos que começar a consertar o sistema educacional do Brasil a partir da educação infantil”, defendeu o reitor José Tadeu Jorge em colóquio organizado pela Unicamp para professores da rede de ensino de Limeira, na manhã desta quarta-feira. O reitor falou sobre “Sistema Educacional Brasileiro: avanços, deficiências e desafios inadiáveis”, no âmbito da série Colóquios Unicamp Ano 50, a convite da Secretaria de Educação daquele município.
Tadeu Jorge afirmou ser consenso que a educação brasileira deixa a desejar e requer ajustes imediatos visando a sua qualificação, mas que para definir as necessidades é indispensável compreender o funcionamento e as características do nosso sistema educacional. “Se há um consenso no país é de que a educação é ruim, com grandes problemas que precisam ser resolvidos o quanto antes. Minha intenção é estimular uma reflexão sobre a educação brasileira.”

Na opinião do reitor da Unicamp, o que está na origem de muitos problemas na educação é a falta de compreensão do conceito de sistema educacional. “O sistema possui uma série de etapas, uma seguida da outra e com uma característica importante: a etapa seguinte sempre depende da etapa anterior. O sistema começa na educação infantil (creche e pré-escola), que fornece os conceitos e valores para o ensino fundamental, que constrói os alicerces para ancorar o ensino médio, que define os valores a serem desenvolvidos no ensino superior, que dá base à pós-graduação e à educação continuada.”

Compreender a educação como um sistema é fundamental, considera Tadeu Jorge, porque havendo falhas em uma etapa, elas dificilmente serão corrigidas nas etapas seguintes. “Temos carências sociais importantes, mas o que fazer? Se procuramos melhorar o acesso à universidade, tentamos resolver o problema pelo oitavo andar, quando o alicerce sequer foi construído; desotimizamos o funcionamento do sistema, sendo mais oneroso tanto no aspecto financeiro como de esforços. Se o Brasil entendesse o processo educacional como um sistema, resolveria os problemas etapa por etapa, a partir da inicial.”

Para esclarecer a natureza sistêmica da educação, Tadeu Jorge analisou cada etapa e apresentou os principais indicadores em educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e técnico, ensino superior e pós-graduação. Mostrou, por exemplo, que o número de crianças atendidas em creches cresceu 114% na década de 2004 a 2014, pedindo, entretanto, um olhar atento às estatísticas. “O número mais do que dobrou, mas não é grande coisa do ponto de vista estatístico, pois é fácil dobrar quando se tem pouco. Agora são atendidas 24% das crianças necessitadas de creches, ou seja, eram menos de 12%; precisamos dobrar mais duas vezes.”

Ao final do colóquio, o reitor da Unicamp deu o exemplo da Coreia do Sul, que há poucas décadas tinha indicadores sociais muito piores que do Brasil, e hoje são significativamente melhores. “Qual foi o milagre? Foi a educação. A Coreia, identificadas as falhas no sistema educacional, decidiu simplesmente esquecer uma geração: começou investindo tudo na educação infantil e, quem já havia passado por ela, não era prioridade; conforme esta primeira geração foi subindo, consertou-se o ensino fundamental, médio, superior... Jamais teríamos a frieza dos asiáticos, mas precisamos priorizar uma solução desta natureza, investindo fortemente na educação infantil, mais do que nas outras.”

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