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Ciclo de debates discute a geopolítica mundial

‘Perspectivas Unicamp 50 Anos’, com 19 mesas-redondas sobre temas da atualidade, vai até setembro de 2016

08/10/2015 - atualizado em 29/03/2016
Abertura do ciclo de debates (foto: Antonio Scarpinetti)

No âmbito dos eventos acadêmicos e científicos em comemoração ao Jubileu de Ouro da Universidade, foi aberto nesta quinta-feira (8) o ciclo de debates “Perspectivas Unicamp 50 Anos”, programados para ocorrer até setembro de 2016, no Centro de Convenções. A série será constituída de 11 eventos distintos, envolvendo temas atuais com relevância política, econômica, social, cultural, artística e científica, contando com a participação de pesquisadores e intelectuais da Universidade e de outras instituições brasileiras e do exterior.

“Geopolítica mundial: que novos caminhos teremos?”, foi o tema da primeira mesa-redonda, na parte da manhã, abordando as novas estruturas do poder mundial (EUA, Europa, China, Rússia); o conflito abrangente do Oriente Médio; os limites para a atuação dos BRICS; o papel da América Latina e do Brasil. À tarde, na segunda mesa, foram analisados a reestruturação possível do capitalismo; a continuidade (ou profundas alterações) da globalização; e o papel futuro da China.

Wilson Cano, docente do Instituto de Economia (IE) e coordenador de 12 mesas do ciclo “Perspectivas Unicamp 50 Anos”, disse que os debates estarão centrados nas crises política, econômica, hídrica e energética pelas quais o Brasil vem passando. “Iniciamos o evento com a discussão de grandes problemas políticos externos e internos que hoje afligem elevado número de países. Há muito que a geopolítica deixou de ser um impenetrável e enigmático xadrez internacional, atraindo cada vez mais reflexões no mundo científico e político.”

A Queda do Muro de Berlim em 1989, segundo Cano, trouxe a ilusão de que viveríamos uma fase de maior tranquilidade e paz nas relações internacionais, mas que temos hoje um capitalismo muito mais feroz a partir da transformação das multinacionais em grandes empresas transnacionais. “Se a antiga bipolaridade acabou, vimos o espetacular ressurgimento da China e renascimento da Rússia e da Índia, que junto com o Brasil criaram os Brics – e há muito mais nevoeiro nesse horizonte do que promissoras certezas. A pergunta que colocamos é: o que sobrará para nós no cenário mundial? A expectativa é de que esse evento nos mostre caminhos que poderemos seguir.”

O debate sobre geopolítica mundial foi coordenado pelo cientista político Sebastião Velasco e Cruz, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), tendo como participantes o economista Juan Arturo Guillén Romo, da Universidade Autônoma Metropolitana (México); o historiador e ensaísta político Perry Anderson, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos); e o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, do Instituto Rio Branco. “O desafio desta mesa é perscrutar o futuro da política internacional, os desafios da geopolítica, levando em conta o momento atual”, afirmou o coordenador.

Velasco também saiu em defesa da universidade pública, que está sob ataques neste momento de crise. “Estamos mergulhados numa crise política profunda de natureza sem precedentes e numa crise econômica politicamente determinada. Com efeito, à medida que a crise se agrava, nossos detratores começam a pregar publicamente que, para resolver problemas de caixa dos governos, as universidades públicas devem ser privatizadas. Quando aqui nos reunimos, festejamos a história de êxitos da Unicamp e dizemos alto e bom som que o programa nefasto que os detratores nos oferecem não será vitorioso, que encontrarão uma resistência tenaz e a Unicamp estará na linha de frente.”

A professora Ítala D’Ottaviano, coordenadora da Comissão Unicamp Ano 50, lembrou que este ciclo de debates dava continuidade às celebrações iniciadas em 30 de setembro, com a encenação da ópera “Don Giovanni”, de Mozart, inteiramente produzida pela Universidade. “Hoje temos a abertura dos eventos acadêmico-científicos e, para esta série ‘Perspectivas Unicamp 50 Anos’, com mesas-redondas mensais, tomamos muito cuidado na seleção de temas relevantes e desafiantes para a contemporaneidade. Por meio desses debates, a Unicamp reafirma seu papel de protagonista no cenário nacional e internacional.”

Representando o reitor José Tadeu Jorge na cerimônia de abertura, a professora Teresa Atvars, pró-reitora de Desenvolvimento Universitário, ressaltou o objetivo do evento de abordar temas relevantes do mundo contemporâneo para os quais os governos não possuem nem políticas nem soluções. “Isso se deve ao fato de serem assuntos extremamente complexos, com muitas facetas e de uma interdisciplinaridade única. É esta reflexão que queremos promover neste ano de debates, deixando um legado para a sociedade brasileira e para conhecimento internacional.”



Crise do capitalismo

A segunda mesa do ciclo “Perspectivas Unicamp 50 Anos” foi sobre “Crise do capitalismo internacional: reestruturação ou nova desordem?”, coordenada pelo professor Luiz Gonzaga Belluzzo, do IE/Unicamp, com a participação de Jan Kregel, do Instituto de Economia Bard College Levy e da Universidade do Texas (EUA); Pierre Salama, da Universidade de Paris 13 (França); e Riccardo Bellofiore, da Universidade de Bergamo (Itália).

Portal da Unicamp

Fonte: Portal da Unicamp

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