Blog Unicamp Ano 50



A falta de compreensão do sistema educacional

Tadeu Jorge fala sobre a importância de investir no alicerce

26/10/2015 - atualizado em 29/03/2016
Reitor Tadeu Jorge Reitor ministra conferência sobre Universidade e Ensino, 24 de outubro de 2015 (Foto: Dario Crispim)

Depois de participar da primeira conferência da série Colóquios sábado (24), Carla Magalhães de Souza, professora e coordenadora pedagógica do programa Mais Educação da Prefeitura de Hortolândia pediu cartazes, prospectos e kits do evento porque acredita que “é muito importante que os profissionais da área de educação participem desses colóquios”. A conferência “Universidade e Ensino” foi ministrada pelo reitor da Unicamp José Tadeu Jorge e revelou dados que, segundo Carla, não são de conhecimento da maioria dos profissionais da área. “Sou coordenadora pedagógica e suas informações são completas”, apressou-se em comentar com Tadeu Jorge antes mesmo que ele se distanciasse da mesa. A ideia de que a educação de excelência começa no ensino infantil também teve a concordância do professor de ciências da rede de ensino municipal de Campinas Rodrigo Teixeira de Andrade, que também fez questão de uma breve conversa com o reitor da Unicamp. A série Colóquios faz parte das comemorações de 50 anos da Unicamp.

Nos primeiros apontamentos sobre o sistema educacional brasileiro, Tadeu Jorge apresentou a responsabilidade de cada ciclo de formação e enfatizou que o ensino infantil, por ser o alicerce do sistema, precisa deixar de lado o caráter assistencialista para se tornar um espaço de formação, por meio de atividades adequadas para esta faixa etária. “Não podemos começar os problemas de um edifício pelo quinto andar”, disse, ao explicar que se os problemas do alicerce não forem resolvidos, o desenvolvimento educacional será prejudicado nas etapas posteriores.

Para Tadeu Jorge, o problema começa na falta de compreensão ampla do que é a educação. Entre os aspectos que fogem ao conhecimento de muitas pessoas está a responsabilidade de cada ciclo de ensino exposta nos primeiros apontamentos dele sobre o tema. Tadeu Jorge enfatizou que para melhorar a educação é preciso começar a entender o sistema como um todo, e não de forma isolada. “As ações no Brasil não estão totalmente conectadas e perde-se a compreensão de que temos um sistema”, declarou.

“Entendo que vivemos num país de contrastes, mas há um paradoxo na questão do ensino que carece de análise mais profunda e estudos que permitam não apenas entender as razões, mas propor alternativas que possam melhorar nossa educação. Todos escutam há anos que a educação brasileira está ruim e o paradoxo é que esta mesma educação brasileira consegue ter universidades entre as melhores do mundo. Felizmente a Unicamp é uma delas”, iniciou Tadeu Jorge.

A falta de compreensão do sistema, ligada à falta de qualificação do alicerce, segundo o professor, pode levar a um fenômeno exposto pela professora Joelma, de Campo Limpo Paulista: a evasão.



Universalização

Dois por cento parece pouco quando se fala em dados de crianças fora do ensino fundamental, mas procure pensar em 500 mil crianças sem acesso a educação. Pois este foi mais um dado que Carla e Rodrigo consideraram importante divulgar.

“Falamos em incluir 100% nas escolas, mas não se fala em qualidade”, pontuou o professor ao falar sobre os projetos de universalização do ensino. Lembrou que quando havia qualidade, poucos tinham acesso à escola, mas que a qualidade não acompanhou a obrigatoriedade da inserção de total de crianças e adolescentes na escola.

A partir de 2016, a obrigatoriedade será a partir dos 4 anos de idade. Hoje, 86% de crianças estão matriculadas na pré-escola, mas Tadeu insiste que o atendimento deve estar aliado a propostas de melhorias em infraestrutura e qualidade do ensino.

A partir de 2016, a universalização chega também ao ensino médio. Atualmente, entre os alunos matriculados neste ciclo, 49% não concluem os estudos. A falta de especialistas pode ser uma das razões a gerar falta de interesse entre os estudantes, na opinião de Tadeu. “Os professores precisam de atualização, de formação continuada”, pontua.

Para Tadeu Jorge, a educação precisa ser priorizada, e o Plano de Educação Nacional, implantado. O reitor também lembrou que a educação não tem um fim, pois a aprendizagem é contínua. “Devemos aprender para o resto da vida”.

Galeria de fotos

Itala Loffredo D’Ottaviano, coordenadora da comissão 50 anos, 24 de outubro de 2015. (Foto: Dario Crispim) (Dário Crispim) 1-8
Reitor Tadeu Jorge Tadeu fala sobre a importância de investir no alicerce, 24 de outubro de 2015. (Foto: Dario Crispi) (Dário Crispim) 2-8
Reitor Tadeu Jorge Reitor ministra conferência sobre Universidade e Ensino, 24 de outubro de 2015 (Foto: Dario Crispim) (Dário Crispim) 3-8
Coral Unicamp Zíper na Boca se apresentou no Colóquio Unicamp Ano 50 - de professor para professor, 24 de outubro de 2015. (Foto: Darim Crispim) (Dário Crispim) 4-8
O Coral Unicamp Zíper na Boca se apresentou no Colóquio Unicamp Ano 50 - de professor para professor, 24 de outubro de 2015. (Foto: Darim Crispim) (Dário Crispim) 5-8
Tadeu Jorge conversa com Rodrigo Teixeira de Andrade, professor de ciências da rede de ensino municipal de Campinas, 24 de outubro de 2015. (Foto: Marcos R Pereira) (Marcos Rogério Pereira) 6-8
A falta de compreensão do sistema, ligada à falta de qualificação do alicerce, segundo o professor, pode levar a um fenômeno exposto pela professora Joelma, de Campo Limpo Paulista: a evasão. 24 de outubro de 2015. (Foto: Marcos R Pereira) (Marcos Rogério Pereira) 7-8
Professor Tadeu Jorge e Carla Magalhães de Souza, professora e coordenadora pedagógica do programa Mais Educação da Prefeitura de Hortolândia, 24 de outubro de 2015. (Marcos Rogério Pereira) 8-8

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