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Uma aula de Lógica nos Colóquios Unicamp Ano 50

30/11/2015 - atualizado em 29/03/2016

Nós, seres humanos, somos capazes de raciocinar de várias maneiras e chegar a conclusões distintas, dependendo de como elaboramos nossas hipóteses de pensamento. O estudo de como se dá o raciocínio é chamado de “Lógica”. E conhecer melhor esta ciência é algo que abre muitas possibilidades, ainda mais para os educadores. A professora e orientadora pedagógica Deise Dias Fahl estava na plateia da palestra “Lógica e pensamento crítico”, ministrada pela professora da Unicamp Itala Loffredo D’Ottaviano, no sábado, 28, no auditório do Centro de Convenções da Unicamp. Foi o segundo encontro da série “Colóquios Unicamp Ano 50 - de professor para professor”, parte da programação do cinquentenário da universidade. Deise, que sempre trabalhou com crianças maiores e adolescentes, aceitou o desafio de assumir uma turma de alunos da educação infantil, a partir de 2016. “O que está me inquietando é como essa questão do conhecimento, da lógica, pode ser trabalhada com a criança desde o início da sua escolarização, estou buscando aqui elementos”, afirmou.

A palestra reuniu professores de todas as etapas do ensino, e curiosos sobre o tema. A abertura foi feita pela professora Celene Margarida Cruz, uma das coordenadoras dos Colóquios. “Nós professores precisamos saber um pouco de tudo e a proposta hoje aqui é falarmos de maneira bem ‘light’ sobre um tema que muitos consideram complicado”. Ela apresentou um breve currículo da professora Itala, titular em Lógica e Fundamentos da Matemática do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), membro do Centro Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) e também coordenadora da comissão que organiza as comemorações do aniversário da Unicamp. “Vou tentar seduzir vocês pela beleza da lógica e da ciência”, disse a palestrante logo no início de sua fala para a plateia.

De acordo com Itala, a Lógica auxilia as pessoas a “entender a realidade, tomar decisões, a ter o poder de argumentar, a se aproximar do belo, da verdade e da justiça e finalmente, a ser livre”. A professora utilizou um conto de fadas para exemplificar que existem tipos de raciocínios diferentes e que, na maior parte das vezes, chega-se a um resultado por dedução. “A Lógica nasce como dedutiva”. A professora frisou que esta ciência não está preocupada somente com as “verdades”, mas se o raciocínio foi feito corretamente e se os argumentos foram bons.

Além da Lógica dedutiva, a indutiva trata de “inferências (ou conclusões) prováveis”. “Nesse caso temos o ‘é muito provável’ em vez do ‘eu tenho certeza'”. Como há tipos de lógicas diferentes, há a lógica clássica, fundada pelo filósofo grego Aristóteles e, a partir do século 20, o surgimento da Lógica não clássica que implica no estudo de contradições, paradoxos e “valores intermediários de verdade”. A professora destacou que um dos maiores teóricos das lógicas não clássicas no mundo é brasileiro e foi professor da Unicamp. É o matemático Newton da Costa, reconhecido como autor de uma teoria original chamada de Lógica paraconsistente, e que permite trabalhar com situações e opiniões contraditórias.

“A Lógica clássica é fundamental porque ela dá conta da maior parte dos fenômenos. Um engenheiro quando vai projetar uma ponte ele não se baseia numa mecânica relativística e nem quântica, mas sim em mecânica clássica. Mas hoje há problemas em ciência em que preciso lidar com informações contraditórias, com graus de veracidade distintos”. Segundo a palestrante, determinados graus de verdade possibilitam resolver problemas na natureza que a Lógica clássica não abarca. “O surgimento das lógicas não clássicas representa uma grande criação da mente humana no sentido de que mesmo não aceitando, mesmo contrariando princípios básicos aristotélicos, eu posso continuar raciocinando sem perder a logicidade. Eu posso ter uma estrutura de pensamento aceitável, razoável. Isso é bom porque nos abre horizontes, permite a solução de problemas”.

Ítala salientou a importância dos conceitos da Lógica para os professores. “Eles não precisam necessariamente obrigar que os estudantes raciocinem classicamente, é importante aceitar a contradição da natureza”.

A oportunidade de aprender um pouco mais sobre o assunto foi aproveitada também pelo professor e diretor de escola Waldir Fahl, casado com a professora Deise, que fala na abertura desta reportagem. “É uma área muito linda que demanda bastante estudo, acredito que todos, dependendo da área, deveriam ter essa noção, para poder usar a lógica. A gente sempre pensa que a nossa verdade é única e não é bem por aí”. Ele considera que a lógica oferece para os alunos a possibilidade de aprender a fazer críticas com embasamento, e isso não é pouco.

No intervalo entre a palestra e a sessão de debates houve uma apresentação artística realizada pelo Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS) da Unicamp.

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