Blog Unicamp Ano 50



Com placa, Unicamp homenageia vítimas da ditadura militar

17/03/2016 - atualizado em 29/03/2016
Descerramento de placa na Praça das Bandeiras. Foto: Antoninho Perri

A Unicamp realizou na manhã desta quinta-feira (17) uma cerimônia em homenagem aos membros da comunidade acadêmica que, lutando pela redemocratização, sofreram violência durante o período da ditadura militar, entre 1964 e 1985. Durante o evento realizado na Praça das Bandeiras, em frente à Reitoria da Universidade, houve o descerramento de uma placa, instalada ao lado do painel contendo o trecho da ata de lançamento da pedra fundamental da Unicamp.

A instalação da placa atende uma das recomendações do relatório final da Comissão da Verdade e Memória (CVM) “Octávio Ianni”, no sentido de esclarecer que o marechal Castelo Branco, mencionado no painel como ‘Senhor Presidente da República’, exerceu de fato este cargo, porém com mandato decretado pela ditadura militar. Além disso, conforme a Comissão da Verdade, a placa cumpre também “a necessária função de repudiar qualquer homenagem prestada a quem apoiou tais crimes.” As atividades da CVM “Octávio Ianni”, criada pela Reitoria, se processaram de outubro de 2013 a março de 2015.

Membros da comunidade acadêmica que sofreram violências e punições pela ditadura militar participaram do descerramento da placa, ao lado da presidente da Comissão da Verdade, Maria Lygia Quartim de Moraes; do reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, e do coordenador-geral da Universidade, Alvaro Penteado Crósta.

Também participaram do evento os pró-reitores de Pesquisa, Gláucia Maria Pastore; e de Extensão e Assuntos Comunitários, João Frederico da Costa Azevedo Meyer; o chefe de gabinete, Paulo Cesar Montagner; o chefe de gabinete adjunto, Osvaldir Pereira Taranto; o vice-reitor Executivo de Administração, Oswaldo da Rocha Grassiotto; a professora Ítala Maria Loffredo D’Ottaviano, que preside a comissão Unicamp 50 anos; o professor e assessor da Coordenadoria Geral da Universidade, José Marcos Pinto da Cunha; além de docentes, funcionários, alunos e familiares dos homenageados.

“Estão presentes nesta solenidade os principais valores universitários. Não é possível, em uma universidade, produzir o conhecimento novo e a formação de pessoas sem que o combustível principal seja a liberdade e a crítica. Reafirmamos neste evento que liberdade e crítica são os valores maiores de uma universidade. E não há sistema político mais pertinente e relevante do que um sistema que se baseie nestes mesmos princípios, que são, fundamentalmente, os princípios da democracia”, afirmou o reitor Tadeu Jorge.

Para o coordenador geral da Universidade, Alvaro Penteado Crósta, a instalação da placa ao lado do painel representa um ato de ensinar ‘a verdadeira história’, à luz dos fatos de hoje, e não de reafirmar a história narrada à época da ditadura militar. “Este ato ocorre num momento em que, infelizmente, nuvens bastante sombrias estão pairando novamente sobre o nosso país, com ameaças concretas e reais ao estado democrático de direito. Este momento é de extrema preocupação porque vemos grupos, ainda que minoritários, levantando bandeiras a favor da intolerância racial, política, de gênero, da intolerância de classe e de orientação sexual. E também pregando a volta do regime de exceção”, criticou.

Maria Lygia Quartim de Moraes ressaltou o papel que a comunidade da Unicamp tem tido com relação ao reconhecimento, memória e verdade histórica sobre a ditadura militar. “Eu sou testemunha de que em 1996, aqui na Unicamp, no IFCH [Instituto de Filosofia e Ciências Humanas], se realizou corajosamente um primeiro evento de uma semana para homenagear os mortos e desaparecidos políticos. E agora temos este evento em que aproveito para fazer um apelo contra a intolerância. Estamos vivendo, na atual situação política, um momento de intolerância horroroso e assustador, do pensamento único e da violência política, da justiça para uns e não para outros.”

Também se pronunciaram, em nome dos homenageados, a professora Anamaria Testa Tambellini e o docente Ademir Gebara. Eles sofreram violências e punições por injunções ou pressões do regime militar. “Gostaríamos que uma homenagem como essa nunca precisasse ser feita. Gostaríamos de acreditar e lutar por aquilo que julgamos mais justo e fazer as ações em prol da cidadania brasileira. Mas as coisas não aconteceram como queríamos no tempo em que ainda erámos mais jovens. E tivemos, então, uma ditadura sanguinária. Uma ditadura que matava, que fazia pessoas desaparecer, que torturava, que prendia, e fazia ações coercitivas contra aqueles que, criticamente, pensavam e exerciam este direito em prol de uma volta à democracia”, lembrou Anamaria Tambellini.

O relatório da Comissão da Verdade e Memória “Octávio Ianni” menciona os seguintes membros da comunidade acadêmica da Unicamp: Ademir Gebara, Alberto Pelegrini Filho, Alberto Zeitune (in memoriam), Alcides Mamizuka, Álvaro Caropreso, Anamaria Testa Tambellini, Antônio Sérgio da Silva Arouca (in memoriam), Cristina Possas, Edson Corrêa da Silva, Eduardo Maia Freese de Carvalho, Eleonora Machado Freire (in memoriam), Elisabeth Moreira dos Santos, Francisco Eduardo Campos, Francisco Viacava, Gustavo Zimmermann, Hélio Rodrigues, João Aidar Filho, Joaquim Alberto Cardoso de Melo (in memoriam), José Augusto Cabral de Barros, José Eduardo Passos Jorge, José Rubens de Alcântara Bonfim, José Welmovick, Lais Tolentino, Luiz Antonio Vasconcelos, Luiz Carlos Toledo, Marilia Bernardes Marques, Osvaldo de Oliveira, Raimundo Araujo dos Santos (in memoriam), Rodolpho Caniato, Rosali Ziller de Araújo, Rubens Murillo Marques e Simão Lukowiecki (in memoriam).

Portal da Unicamp

Fonte: Portal da Unicamp

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