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A invenção da nova classe média

02/06/2016 - atualizado em 07/06/2016
O professor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp Márcio Pochmann foi mediador da mesa-redonda "Distribuição e Transferência de Renda", dia 24 de maio de 2016, na Unicamp. (Foto: Marcos R Pereira/UA50)

É possível migrar de classe social de um mês para o outro? A resposta de economistas e sociólogos participantes da 12ª série Perspectivas Unicamp Ano 50 é clara: não. “Estamos muito mais perto do que seria um novo proletariado, novo contingente de trabalhadores e trabalhadoras do setor de serviço, do que de uma classe média”, declara Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, no intervalo da conferência “Balanço das Políticas Sociais no Brasil III: distribuição de renda, redenção da pobreza e ‘a nova classe média’”, realizada em maio.

Antunes enfatiza que quando se analisa a média salarial de trabalhadoras e trabalhadores que conseguiram emprego, nota-se que eles estão em grande medida alocados no setor de serviços, o qual tem alta rotatividade, estão em áreas terceirizadas e frequentemente desprovidos de direitos. “A classe média sempre se caracteriza por uma certa prevalência do trabalho intelectual sobre o manual e por valores, na medida em que sonha ter os valores das classes ricas, dominantes. Estas pessoas têm temor de se aproximar da classe trabalhadora. Por isso são chamadas de camadas médias. Essa oscilação faz com que elas sonhem com as classes dominantes, mas frequentemente se aproximem das classes trabalhadoras”, acrescenta Antunes.

Ele acredita que toda construção feita no Brasil de que havia um novo país de classe média não se sustenta quando a análise sociológica estuda a especificidade da classe média, mensurada não somente pela renda, mas por seus valores, atributos, consumo, inserção nas condições de trabalho, precarização do trabalho, turnover (alta rotatividade). “Tudo isso configura um quadro que eu aproximaria muito mais de uma classe trabalhadora assalariada no setor de serviços”, reforça.

Em 2013, um economista sugeriu que havia surgido uma nova classe média no Brasil, mas na verdade as novas pessoas “ricas” contavam com uma renda mensal de R$ 1 mil. Dados do Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) pesquisados e apresentados no evento pelo professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp, mostram que não é bem assim, principalmente como quando se analisa a evolução de cada segmento.

O crescimento de gastos sociais no Brasil acabou envolvendo público e os convidados na sessão de debate. Em sua apresentação sobre a evolução de gastos sociais, a partir da Constituição Federal de 1988, o economista Guilherme Delgado mostrou que houve um crescimento na área social.

Como mediador da mesa, o professor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp Márcio Pochmann acrescentou que a Constituição de 1988 permitiu que o comprometimento do PIB para gastos sociais fosse de 13% para 23%. “Militares entregaram o país com 13% do PIB para área social. Chegamos a 2014 ao redor de 23% do PIB. O que chama minha atenção é que isso foi feito num capitalismo que praticamente não cresceu. A trajetória da economia brasileira de 1981 a 2016 é de uma trajetória de estagnação. A renda per capita cresceu apenas 0,7% ao ano, em média de 1881 a 2016”.

Em breve análise, Pochmann declarou que, para ele, as eleições de 2014 demostraram que não é mais possível ter governos de conciliação de classes no Brasil. “De um lado, a oposição não reconheceu o resultado eleitoral, passou a criticá-lo, e estamos agora num terceiro turno. E este governo provisório tem uma oposição enorme daqueles que saíram do governo. Se Michel Temer cai e volta a Dilma, terá outra oposição. Há polarizações muito intensas e grandes, e está claro que dificilmente o Brasil, com esta situação, voltará a crescer. Pode recuperar um pouco, crescer um pouco, mas crescer 6% é muito difícil, até porque não tem base para sustentar isso, que seria a indústria. Hoje ela responde por 7% do PIB. Indústria é equivalente a 1910, 1920”, analisou antes de abrir o microfone ao debate.

Em sua 12ª edição, a série Perspectivas atende às expectativas da organização do Unicamp Ano 50, de acordo com o professor do Instituto de Economia Wilson Cano, coordenador do evento. A próxima edição, a se realizar em 15 de junho, tem como tema “Arte, Ciência e Cultura”.

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Balanço das Políticas Sociais no Brasil III: Distribuição de renda, redenção da pobreza, e a nova classe média. 24 de maio de 2016, Centro de Convenções da Unicamp (Marcos Rogério Pereira) 1-34
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